72 Rotações

Depois de uma gloriosa série de cinco shows no Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, a Radiola Urbana agora estende o projeto de reencontro com a música de 1972 para o Sesc Santana. O festival 72 Rotações acontece de 1 a 4 de novembro, com dois shows por noite. São eles: Assembleia Rítmica de Pinheiro x “Mulatu of Ethiopia” (Mulatu Astatke) e Felipe Cordeiro x “Expresso 2222″ (Gilberto Gil), na quinta 1/11; Bruno Morais x “Sonhos e Memórias” (Erasmo Carlos) e Leo Cavalcanti x “Ben” (Jorge Ben), na sexta 2/11; Cida Moreira e Hélio Flanders x “Harvest” (Neil Young) e Guizado x “On the Corner” (Miles Davis); Curumin x “Still Bill” (Bill Withers) e Romulo Fróes x “Transa” (Caetano Veloso).

O ano de 1972 deixou marcas definitivas na música brasileira e internacional. Há 40 anos, Caetano Veloso e Gilberto Gil lançavam obras inspiradas do período pós-tropicália – o primeiro, ainda na melancolia criativa do exílio, e outro já impulsionado pela alegria do retorno ao Brasil; Bill Withers elevava o soul norte-americano à categoria ainda desconhecida ao gênero, num misto de suingue e canção a partir de sua batida ao violão; Erasmo Carlos se afastava da fórmula mágica da jovem guarda num mergulho introspectivo de rara sensibilidade; Miles Davis formatava seu jazz eletrificado em flertes com o funk de James Brown e Sly and Family Stone; Jorge Ben lapidava seu samba-soul em incursões pela psicodelia e às melodias de mais apelo radiofônico; Mulatu Astatke lançava o disco que definia o estilo que ele criou e ficaria conhecido como ethio-jazz; e Neil Young firmava-se como um dos grandes nomes da música pop com um folk rock de identidade própria e lirismo surpreendente.

Aproveitando o aniversário de 40 anos das obras-símbolo destes artistas, o projeto 72 Rotações propõe uma imersão aos repertórios de oito discos que ficaram na história da música. Essa viagem não é mero passaporte para o túnel do tempo: este reencontro se dá pela abordagem de músicos brasileiros contemporâneos, que reinterpretam todas as destes trabalhos de forma autoral.

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1 de novembro, a partir das 21h:

Felipe Cordeiro interpreta “Expresso 2222”, Gilberto Gil
Pai e filho, duas gerações da guitarra paraense: Felipe Cordeiro convoca o mestre Manoel Cordeiro, lenda dos estúdios paraenses que definiu o som da lambada no Pará. Juntos, eles interpretam “Expresso 2222″, o primeiro disco que Gilberto Gil lançou no Brasil após 3 anos de exílio. No álbum, Gil mergulha nas raízes da música nordestina e atualiza essas influências em composições próprias, com seu violão na melhor forma – o que propõe um saudável desafio criativo à família Cordeiro.

Assembleia Rítmica de Pinheiros interpreta “Mulatu of Ethiopia”, Mulatu Astatke
Septeto com vocação para experimentações jazzísticas e veia roqueira, a Assembleia Rítmica de Pinheiros encarou o desafio de fazer uma releitura de “Mulatu of Ethiopia” – o disco definitivo para o gênero “ethio-jazz”, que o músico Mulatu Astatke inventou ao misturar a escala pentatônica ocidental com elementos da música etíope.  Com o virtuoso baterista Maurício Takara na formação, a banda vai reprocessar os temas do disco dentro de uma estética aberta aos improvisos e com a guitarra à frente dos arranjos.

*Ouça podcast gravado com Maurício Takara, antes do primeiro show com este repertório, em agosto:

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2 de novembro, a partir das 18h:

Bruno Morais interpreta “Sonhos e Memórias”, de Erasmo Carlos
O cantor e compositor londrinense Bruno Morais, que tem dois álbuns lançados, se juntou à banda Bixiga 70 e gravou em 2011 uma versão poderosa de “O Sorriso Dela” – uma das doze faixas de “Sonhos e Memórias”. Lançado em compacto de vinil, a faixa foi elogiada pelo próprio Erasmo Carlos e é uma ótima pista para qual caminho Bruno Morais pode levar esse cultuado disco do Tremendão.

Léo Cavalcanti interpreta “Ben”, de Jorge Ben
Com um elogiado primeiro disco lançado em 2011, “Religar”, Léo Cavalcantir tem no reconhecido suingue de seu violão o atalho para interpretar o repertório de “Ben” – o disco em que Jorge Ben aperfeiçoa seu ritmo na batida das seis cordas e lança clássicos de sua carreira, como “Fio Maravilha” e “Taj Mahal”, e devaneios psicodélicos como “As Rosas Eram Todas Amarelas”.

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3 de novembro, a partir das 21h:

Cida Moreira e Hélio Flanders interpretam “Harvest”, de Neil Young
O vocalista da banda mato-grossense Vanguart e a diva paulistana estreitam a parceria recente e unem voz, piano e violão para encarar o álbum de Neil Young. “Harvest” foi o álbum mais vendido nos Estados Unidos em 1972 e tem algumas das canções mais populares do músico canadense – uma fonte de inspiração e tanto para o encontro da veia folk de Flanders e a interpretação teatral de Cida.

Guizado interpreta “On the Corner”, de Miles Davis
A música do trompetista Guizado é impulsionada pela mistura de seus fraseados com elementos eletrônicos e uma pegada roqueira.  Essa receita parece indicar um caminho possível para a desafiadora missão de reinterpretar “On The Corner” – o disco em que a sua principal referência, o genial Miles Davis, radicaliza mais uma vez sua abordagem jazzística numa expansão desenfreada para o território do funk.

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4 de novembro, a partir das 18h:

Curumin interpreta “Still Bill”, de Bill Withers
Após estourar nas rádios com “Ain’t no Sunshine”, canção de seu disco de estreia, Bill Withers se apresenta um compositor pleno em seu segundo álbum. Seu violão busca influências no blues e na canção folk para incorporar ainda mais camadas à música soul. Sua voz e seu instrumento recebem aqui o complemento perfeito de uma banda formada por membros da 103rd Street Band, de Charles Wright. O multiinstrumentista paulistano Curumin tem três discos no currículo em que o balanço é o caminho condutor de suas canções – receita ideal para encarar a música de Bill Withers.

Romulo Fróes interpreta “Transa”, de Caetano Veloso
Com quatro discos lançados, Romulo Fróes é declaradamente influenciado por “Transa”. Inicialmente associado ao samba, o cantor e compositor enveredou para o rock a partir do terceiro disco, o duplo “No Chão Sem o Chão”.  Nesse caminho, ele buscou nas referências brasileiras o atalho para uma linguagem própria dentro do formato guitarra-baixo-e-bateria e o clássico do exílio de Caetano Veloso é uma delas. Acompanhado de sax, bateria, baixo, guitarra e cavaquinho, Romulo subverte os arranjos originais baseados no violão.

*Ouça podcast gravado com Romulo Fróes, antes do primeiro show com este repertório, em julho:

72 Rotações
01 a 04 de novembro (quinta e sábado, a partir das 21h; sexta e domingo, a partir das 18h)
Sesc Santana – Avenida Luís Dumont Villares, 579  / (0xx)11 2971-8700
R$ 16

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