Bill Withers, 80 anos

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Hoje (quarta, 6 de julho de 2018) é um dia para a música celebrar: Bill Withers completa 80 anos. Que homem! O soulman é, sim, o compositor de “Ain’t no Sunshine” – hit que estourou nas rádios em 1971 e ganhou uma infinidade de boas versões, inclusive no Brasil e na Jamaica. Embora o sucesso comercial se sustente principalmente por causa dessa canção, a obra e relevância do norte-americano vão muito além. Não é exagero dizer que ele está entre os grandes do soul ao lado de Aretha Franklin, Stevie Wonder, Marvin Gaye, Curtis Mayfield, Isaac Hayes, James Brown e outros. A seu favor, está uma identidade que o fortalece: baseada em seu violão cheio de balanço (instrumento não tão comum em um gênero em que brilham o baixo, a bateria e os sopros), este elemento já o diferencia por completo dos outros citados.

Withers não fica atrás nos outros quesitos. Vozeirão? Tem. Grandes composições? Tem. Uma ótima banda? Tem. O cara é peso-pesado no ringue da música negra dos EUA. A Radiola Urbana aprecia especialmente sua obra dos primeiros anos de carreira, de 1971 a 1974, período em que enfileira quatro discos essenciais da soul music: “Just as I Am” (1971), “Still Bill” (1972), “Live at Carnegie Hall” (1973) e “+’Justments” (1974). O primeiro álbum é o cartão de visitas que, além de “Ain’t no Sunshine”, apresenta ao mundo outro de seus grandes hits, a bela “Grandma’s Hands” – mas sua assinatura aparece também em faixas como “Harlem” e “Better of Dead”. “Still Bill” é a obra-prima, item de discoteca básica: do absurdo que é a facilidade da banda para suingar em “Use Me” à dançante “Kissing My Love”, as dez faixas formam um conjunto de rara inspiração. “Live at Carnegie Hall” concorre fácil a melhor disco ao vivo da história da música pop. O LP de 1974 encerra um ciclo e coloca a cereja no bolo com mais uma coleção de canções memoráveis, entre elas “The Same Love That Made Me Laugh” e “Heartbreak Road”.

Para celebrar este legado, aqui vai uma playlist que reúne algumas das muitas pérolas do compositor. Além de faixas dos quatro LPs citados, a seleção também oferece versões gravadas por outros artistas. “Ain’t no Sunshine” aparece em outras cinco releituras: pela diva Lyn Collins, nas versões instrumentais de Roy Ayers e Eddie Senay, na versão “sambalanço” do brasileiro Sivuca e em forma de reggae pelo jamaicano Horace Andy. Há ainda regravações de “Use Me” (Ester Phillips e Fred Wesley & JB’s), “Grandmas’ Hands” (Gil Scott-Heron), “Kissing My Love” (Afrique e Spanky Wilson), “Who is He (and What Is He to You)” (com o Creative Source) e “Lonely Town, Lonely Street” (Bobbi Humphrey). Pra encerrar o repertório, uma única exceção em relação ao período 1971-1974: “Lovely Day”, de 1978, que frequenta os sets do DJ Marky e sempre causa um bom efeito nas pistas de dança. Salve Bill Withers!

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