BUSCA NO SITE  
 
Radiola Urbana 77
"Ella & Louis", 1957: sintonize nossa frequência e aprecie sem moderação esta jóia jazzística.

Radiola Urbana 74
Ouça nosso programa de rádio dedicado ao álbum "Headless Heroes of the Apocalypse" (1971), do cantor Eugene McDaniels!


NEWSLETTER  
email:
Para receber nossa newsletter via e-mail, coloque seu e-mail, e clique em CADASTRAR.








19/12/2006
JAMAICA HI-FI #5

JHF#5: música jamaicana de todos os estilos + misturas com eletrônica + rasta excentricidades
Produção: Chico Dub
Ilustração: Antônio Pedro Resende

Clique aqui para ouvir!

- “Montain of Wareika” + “Montain of Wareika Dub” -- Rico Rodriguez (03)
- “Solid as a rock” -- Bim Sherman (94)
- “Another weekend” -- Freddie Mckay (81)
- “Dub the bong around” -- Dry & Heavy (98)
- “Monkey Racket” -- Gorillaz vs. Space Monkeyz (02)
- “Silberfisch” -- Pole (00)
- “Seven nation army” -- Rene Arsenaut (?)
- “All a name hittas” -- Sterotyp meets Al Haca feat. Daddy Freddy (04)
- “Earth a run red” -- Digital Mistykz (06)
- “Stick by me” -- John Holt (72)

))) O trombonista Rico Rodriguez, um dos mais importantes músicos da Jamaica, aprendeu tudo (ou quase) na Alpha School, escola de música para jovens carentes e/ou rebeldes por onde passaram praticamente todos os Skatalites e alguns dos grandes nomes do ska e rocksteady.

Antes de sair da ilha e ganhar a vida na Inglaterra, Rico morou no acampamento do lendário percussionista Count Ossie localizado nas montanhas de Wareika. Nesse período, Rico se converteu ao rastafarianismo (estamos falando dos anos 50!) graças aos ensinamentos de Ossie sobre suas origens africanas. O resultado direto é “Soul of Africa”, um dos primeiros singles a reverenciar à África como berço espiritual dos negros. O posterior é o álbum “Man From Wareika”, clássico absoluto do jazz roots jamaicano. O disco chegou até mesmo a ser lançado nos EUA pela monstra do jazz Blue Note.

“Mountain of Wareika” é uma versão stepper dos suíços Lion Paw & Zebra (Cultural Warriors) para “Over the montain”, som original de 78. Outro som bem legal que cruza o trombone de Rico com o peso do UK sound é “Day One”, do Digi Dub. Fica aqui a dica.

)))  “Solid as a rock”. O acústico “Miracle”, do cantor jamaicano Bim Sherman, talvez seja o álbum mais estranho do catálogo da ON-U Sound. A experimentação está lá. Afinal, é de Adrian Sherwood que estamos falando. O lance é que “Miracle” é um disco com o Talvin Singh nas tablas, o Skip McDonald no violão e que não tem bateria e sim cordas orquestradas pelo indiano especialista em trilhas bollywoodianas Suraj Sathe. Parada altamente subversiva pros padrões ON-U Sound.

Sherman, hoje cult, talvez permanecesse obscuro pra sempre não fosse a paixão de Sherwood pelo espiritualismo contido em sua frágil e etérea voz. “Miracle” é uma obra prima, "um disco do Marvin Gay envolto numa nuvem de ganja", como resenhou um jornalista na época de seu lançamento. Folk atmosférico, calmo, elegante, lisérgico.

Parênteses: “Purify your heart”, “Use your head” e “No longer” (uma versão muito superior de “Just can´t stand it”) acabaram não entrando em Miracle, e sim em “The need to live”, álbum póstumo de faixas raras lançado em 2002. Como as três fizeram parte das mesmas gravações de “Miracle”,acabo considerando-as faixas bônus do tal. Até porque, é “No longer” e não “Just can´t stand” it, que ouvimos.no making of do disco. Confere só: http://www.youtube.com/watch?v=-lUeS-rXtdk.

))) “Another Weekend” (to kiss somebody riddim), música do começo dos 80, marca muito bem o início da mudança do roots pro dancehall. Como a clássica “Late Night Blues”, melhor som disparado do Don Carlos, o que importa aqui é a diversão no baile. Algo na linha do “vamos ser felizes e parar de chorar nossas mazelas”. No instrumental, o que há de mais clássico nessa fase são as bases tocadas pela banda Roots Radics, de preferência com o Junjo ou o Linval Thompson na produção e o Scientist no controle da mesa.

A primeira vez que ouvi essa linha de baixo foi no disco “Fear of a green planet”, do Dub Syndicate (ON-U Sound). Repara só a estupidez que é o baixo do Flabba Holt.

)) Shigemoto Nanao, o Dry, e o baixista Takeshi Akimoto, o Heavy, são a alma do Dry & Heavy, banda japonesa bastante famosa no ocidente por causa de “One Punch”, de 98, e “Full Contact”, de 00. Sem falar no disco de dub que o King Jammy -- numa volta as origens -- fez a partir desse material. Bom, pelo menos Nanao e Akimoto eram a alma do Dry & Heavy. Isso porque o baixista já saiu há tempos, o que talvez explique o motivo de eu nunca mais ter ouvido falar neles. Uma pena, porque a banda é bem boa -- uma das melhores, junto com o Audio Active (seu alter-ego mais experimental) que tocam dub ao vivo.

O Japão, hoje famoso por seus sound systems especializados em dancehall, era uma potência do dub nos 90 com o Dry & Heavy -- nome de um disco do Burning Spear -- e o Audio Active -- nome de um disco do Dennis Bovell. Nem vou falar da conexão dessas bandas com o Adrian Sherwood e a ON-U Sound porque aí já é demais. Senão, daqui a pouco eu recebo na minha caixa de email um: “porra, Chico, será que dá pra fazer uma coluna sem tocar no nome desse cara?!”.  ”Dub the bong around” é o nome da música.

))) “Laika´s come home” é a versão dub do primeiro disco do Gorillaz. O trabalho de desconstrução ficou a cargo dos Space Monkeyz, que regravaram os instrumentos inna dubwise fashion e atocharam o bagulho de efeitos, levando as influências jamaicanas de Damon Albarn ao extremo. Ficou retrô e moderno, com destaque pros climões espaciais, a melódica tocada pelo próprio Albarn e as participações dos jamaicanos U-Brown e Earl 16. Discasso. E que, filosofando, cumpre o importante papel de divulgação do dub pra um público novo.

Damon é um dos caras mais admiráveis do pop. Frontman do Blur, inventor do Gorillaz e do projeto Mali Music, sócio do selo Honest Jons (tipo a Soul Jazz) e agora líder do The Good The Bad And The Queen, banda que tem o Tonny Allen (Africa 70) na batera e o Paul Simonon (The Clash) no baixo! Difícil escolher a melhor, mas fico com “Monkey Racket”, dubversão de “Man Research”.

Ah, mais afinal quem são os Space Monkeyz? Parece que são três caras chamados Richie, Darren e Gavin. Não me pergunte os sobrenomes (não foi divulgado), mas sei que já tocaram com George Clinton, Jamiroquai e Horace Andy.

))) A primeira sensação que dá ao ouvir Stefan Betke aka Pole é de que há algo errado com o som. Culpa do monte de estática, de chiados e barulhos que esse alemão produz usando um filtro vintage quebrado -- isso mesmo, quebrado --, o Waldorf 4 Pole-Filter. Basicamente, a música do Pole são esses noises, que formam texturas rítmicas cheias de nuances, um ou outro sintetizador e linhas de baixo acima do peso. Pra rotular, soa como um ambient dub minimalista, resultado de um encontro imaginário do Brian Eno com o Lee Perry em Berlim.

Tenho certeza que muitos de vocês não vão nem chegar ao final de "Silberfisch". Mas faz o seguinte. Escuta de headphone na horizontal, com o som no talo. É uma experiência sensorial e tanto. Perfeito pra dançar. Com a cabeça. O som do Pole hoje em dia é mais “fácil”. Ficou mais orgânico e tem até vocais em algumas faixas. Mas continua altamente interessante e recomendável.

))) Versão dub rock do “riddim” “Seven Nation Army” feito por um tal René Arsenault. Quem me passou foi o Bruno Natal. Ele gosta mais do que eu. Mas é curioso.

))) Depois do downtempo criado pela G Stone de Kruder & Dorfmeister e copiado ad infinitum pelo resto do mundo, os vienenses (com a ajuda dos alemães) inventaram outro tipo de som de dna jamaicano. Um ragga minimalista, dark, dubby, meio The Bug às vezes, só que menos pesado. “All a name hittas” está em “Phase 3”, terceiro encontro do Stereotyp com o Al Haca. Os dois primeiros eram singles 12” e esse terceiro, um álbum.

Ambos têm gravado recentemente com a (excelente) artista plástica paulistana Fefe Talavera nos vocais. “Boi da cara preta” tá num 12” do Stereotyp. E tem dois sons com ela no mypace do Al Haca. Irado!

O jamaicano Daddy Freddy - eleito várias vezes o MC mais rápido do mundo! - faz o maior sucesso entre a galera do crossover. E quanto mais pesado for o beat, mais rascante estará a sua voz.

))) Os ingleses Coki e Mala são o Digital Mistykz, pra mim o que há de mais interessante no dubstep/grime, tipo de som que vive uma efervescência absurda lá fora. Acho que a alternância de batidas entre as faixas e as constantes referências à Jamaica -- que deixam o som menos dark que o usual -- são os motivos que explicam essa minha preferência.

“Come meditate on bass weight” é o slogan do DMZ, selo dos caras (+ Loefah), e da festa que eles fazem na The Mass, localizada dentro da igreja de Saint Matthew, em Brixton. O grave é sagrado. Salve. “Earth a run red” é o lado b de um dos dois 12” lançados recentemente pela Soul Jazz.

))) Só mesmo John Holt e sua “Stick by me” pra ajudar a descer tanta coisa maluca e “hard listening”. Nem parece o mesmo de “Police in Helicopter”, mas o ano é 1972, começo do começo do roots reggae.

John Holt é uma lenda. Canta nos grandes clássicos do Paragons, que tiveram dj versions eternizadas por U-Roy; canta em “Ali Baba”, som que veio a se tornar um dos grandes riddims jamaicanos e por aí vai.

“Stick by me” é a primeira produção de outra lenda jamaicana, Bunny Lee. Falo mais dele sobre ele na Jamaica Hi-Fi #6. Nem é preguiça de escrever mais, não. É pra criar um clima de cenas do próximo capítulo. Sacou?

Então, até a próxima, até 2007. Sem Adrian Sherwood e com mais Bunny Lee. Pode cobrar.

Rewind.

Jamaica Hi-Fi é um programa produzido por Chico Dub, DJ residente da balada carioca de mesmo nome. A Radiola Urbana passa a hospedar sua coluna radiofônica a partir da quarta edição. Para ouvir as anteriores, clique aqui. Acesse também o blog do cara clicando aqui.

 














Home | Ouça | Leia | Agenda | Assista | Navegue | Escreva
Lançamentos | Arca do Velho | Discoteca | Arquivo | Contato