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Por Marcossandas
Prestes a completar 74 anos de idade no próximo dia 29, Jerry Lee Lewis ainda surpreende muita gente. Aquele cara que chutava o banquinho e incendiava seu piano, foi amigo pessoal de Elvis Presley, Johnny Cash e Carl Perkins e ajudou a criar o rock and roll com hits como “Great Balls On Fire”, ainda tem forças para subir ao palco e fazer um show? Tem sim. E não apenas para um concerto. Só em terras brasileiras serão três apresentações – todas nesta semana. Dia 16, em Porto Alegre, no Pepsi Stage. Dia 18, no paulistano Credicard Hall. Dois dias depois, dia 20, é a vez de Belo Horizonte, no Music Hall. Pouco antes de desembarcar por aqui, ele gentilmente falou com a Radiola Urbana.
Depois de tanto tempo na estrada, qual sua motivação para subir aos palcos? Estou ficando velho, mas minha motivação continua a de um menino de 20 anos, com certas limitações, é claro! (ri). Todas noite é um show diferente, com pessoas diferentes de culturas diferentes, e isso é fantástico. Eu vejo pais e jovens nos meus shows, pessoas de todas as idades...então se toda essa gente gosta do meu trabalho e se diverte, não vejo razão para parar.
Que tipo de música você escuta em casa? Eu gosto de coisa antiga, coisas do meu tempo, gosto do bom e velho rock and roll, boogie woogie, country, blues.
Existe algum artista novo que te atraia? Sem, existem bons artistas. Em meu último DVD, “Last Man Standing – Live!” eu tenho convidados especiais como Kid Rock, Norah Jones, e outros.
Você se recorda de algo que o tenha feito começar a tocar? A música estava na família. Eu tinha dois primos, Mickey Gilley e Jimmy Lee Swaggart, que tinham uma aptidão impressionante para o piano. Um dia meu primo mais velho, Carl McVoy, me visitou e abriu as portas aos segredos dos boogie-woogies que ele ouvia na radio. Daí eu misturei isso com gospel e country e comecei a moldar o meu próprio estilo.
Você se considera um dos inventores do rock and roll? Imaginava que o estilo se tornaria o que é hoje? Eu, Elvis Presley, Carl Perkins, Little Richard, Chuck Berry, Johnny Cash e outros grandes artistas. À princípio era tudo diversão e muito pouca responsabilidade. Nós éramos jovens, vivendo o grande momento da nossa vida, mas eu sou muito orgulhoso em ver o atual estado do rock and roll levando em consideração que eu ajudei a criá-lo.
Você se lembra da vibração dos estúdios da Sun Records? Sim, era bem bacana. Eu era um grande amigo do Elvis, me sentia muito perto dele. Carl Perkins e Johnny Cash também... Fizemos muitas jams naqueles tempos, sempre tocando um com o outro, até um dia que todos nos encontramos e demos forma ao Milion Dollar Quartet, algo que aconteceu de repente. Nós estávamos nos divertindo. É uma grande coisa agora. Não pensávamos sobre que como isso soaria às outras pessoas. Simplesmente fazíamos música.
Aos 74 anos, o que a vida te ensinou? Eu vivi minha vida tão intensamente, nunca me arrependi de nada que fiz, tudo tem suas conseqüências, às vezes boas e outras ruins, mas estou firme e continuo trabalhando. Então, aprendi que você tem que tirar o melhor da sua vida e aproveitar cada minuto.
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