BUSCA NO SITE  
 
Safári Estereofônico, vol. 3
Os ecos do afrobeat de Fela Kuti: sintonize Safári Estereofônico, vol. 3!

Safári Estereofônico, vol. 1
Ouça a primeira edição do Sáfari Esterofônico, nosso novo programa com achados e perdidos da música africana! Tema da estreia: a influência de James Brown no afrobeat!


NEWSLETTER  
email:
Para receber nossa newsletter via e-mail, coloque seu e-mail, e clique em CADASTRAR.








30/03/2006
Ode às máquinas

Por Ramiro Zwetsch
Fotos: Zé Gabriel Lindoso

No palco com a Nação Zumbi, sua guitarra parece se desdobrar em várias -- contempla desde as distorções barulhetas até os riffs pegajosos, do rock à moda hendrix ao suingue do funk ou do reggae, da psicodelia à histeria. Fora dele, Lúcio Maia segue percurso parecido: não se contenta em tocar "somente" na banda e procura projetos paralelos para escoar a criação. Além do já badalado Los Sebozos Postizos, ele encabeça o grupo Maquinado, que reúne três músicos do Cidadão Instigado e o guitarrista da banda de Otto. Seu primeiro show acontecerá na quarta-feira 5 de abril, dentro da balada Frankafrica, que conta com a participação da Radiola Urbana na discotecagem. No dia 21/04, visitará o palco do Grazie a Dio e, dois dias depois, participará do Abril Pro Rock.

O guitarrista explicou por e-mail qual é a idéia básica do projeto na entrevista a seguir:

Explica qual é a idéia básica do projeto Maquinado. Existe alguma conexão com o som da Nação Zumbi ou não tem nada a ver?
É resultado de dois anos de composições minhas, que resolvi mostrar para as pessoas. A única conexão com a Nação sou eu, ela não se parece em nada com o que eu faço no Maquinado. As influências são as mesmas de sempre...

Qual é a formação de palco?
Eu (guitarra e voz), Catatau (guitarra e teclado), Júnior Boca (guitarra), Rian Batista (baixo) e Clayton (bateria).

Como você escolheu os outros dois guitarristas? Você prefere tocar com guitarristas com estilos parecidos com o seu ou é melhor que eles tenham um jeito diferente de lidar com o instrumento? 
Escolhi eles pela proximidade, depois de tantos anos trocando idéias e vendo o que cada um faz pessoalmente. Conheço Catatau há mais de dez anos e sempre conjecturamos em fazer algo juntos. O Júnior eu conheci também há tempos em Fortaleza, mas foi no ano passado que nos aproximamos. Mas o mais legal de tudo é que temos estilos completamente diferentes, mas sem disparidades. O importante é você se juntar a pessoas que te deixam à vontade.

Qual é o repertório do show?
Como o Maquinado é muito cabaço, tocaremos músicas minhas e mais alguns covers. Mas só por enquanto. Pretendo deixar o repertório 90% Maquinado.

Quais são seus guitarristas preferidos e por quê?
São poucos. Não curto muito instrumentos isolados. Tenho alguns ídolos, é claro, mas tenho mais influências de músicos por suas histórias de vida do que pelo que ele faz com o intrumento em si. Sou fã de Luiz Gonzaga, que não sabia escrever suas canções e as decorava. E mais quinhentas: Thelonious Monk, Lee Perry, Fela Kuti, Nelson do Cavaquinho... Mas tem alguns guitarristas que eu coloco na lista: Wes Montgomery, Baden Powell, Paulo Nogueira, Hendrix e alguns outros.

A estréia, digamos, oficial do Maquinado será no Abril Pro Rock. Qual é sua expectativa para essa apresentação? Acha que existe um risco de você se deparar com um público mais interessado em Nação Zumbi e preconceituoso em relação a um projeto eletrônico? 
Para nós a estréia será no Sarajevo. O APR será o mais focado pela mídia, o que é bom. Espero que as pessoas tenham bastante paciência com a gente. Estamos começando agora, mas temos muito a mostrar. Não penso nessas coisas. Sei que talvez isso aconteça, mas não me proecupo com os fãs mais radicais da Nação. Eles são poucos. Aliás, tem gente até hoje que prefere a época com Chico... Será normal. Não considero o Maquinado um projeto eletrônico. Temos algumas bases eletrônicas e tal, mas é uma banda com a formação tradicional de guitarra, baixo e bateria. Vejo-o como uma ode às máquinas.

E para essa apresentação no Sarajevo, o que podemos esperar? É o mesmo show do Abril Pro Rock ou isso está indefinido ainda? 
Tocaremos algumas músicas do meu disco, que ainda não está pronto, e mais alguns enxertos. Tudo é novidade, até para nós. Não faço idéia do que esperar do show. Espero que todos se divirtam como nós nos divertimos durante os ensaios. No APR faremos um repertório de 40 minutos, ou seja, um pouco menor do que no Sarajevo. Na verdade nem sei quanto tempo temos de show... Sei que ainda é curto.

Como começou esse seu interesse em mexer com eletrônica? Foi incentivado por alguém? Você tem referências marcantes dentro dessa linguagem?
Na minha opinião a música eletrônica surgiu quando eletrificaram a primeira guitarra. Já nasci com a eletrônica bombando todos os instrumentos: bateria, baixo, synths e etc. Desde que me lembro, existem recursos tecnológicos que te dão opções e linguagens diferentes para todo tipo de som que se queira fazer. A Nação sempre fez, os Beatles, a Jamaica, Os Mutantes...

O fato de ser guitarrista te faz encarar as máquinas de um jeito diferente daqueles que fazem música eletrônica mas não são músicos? A abordagem é diferente?
Hoje em dia não existe mais a necessidade de se tocar um instrumento para ser considerado um músico. A maior prova disso é o turntablism. Estamos numa era que não há espaços para os maestros indignados da vida com o vizinho que faz música no Reason ou no pró-tools e ganha a vida assim. Rica (Amabis, Instituto) e Tejo (Damasceno, Instituto e Turbo Trio) não sabem nem afinar um violão, no entanto são muito mais músicos do que vários destes "Berklees" que têm em todas as esquinas. (Berklee é uma conceituada escola de música em Boston).

Você pretende lançar um disco do Maquinado?
O disco foi o pontapé inicial de tudo. Depois da trilha do "Amarelo Manga", comecei a compor todos os dias e gravar tudo no meu laptop. Um ano e pouco depois eu tinha mais de trinta músicas. Então resolvi fazer um disco com parte desse material. Estou em negociações com gravadora, mas não posso revelar nada agora. Tem participação de 19 pessoas. Por isso que não gosto que chamem de "projeto-solo". Jorge Du Peixe, Siba, Rodrigo Brandão, Speed, Catatau, Maurício Takara, Ganjaman, Dengue, Rica Amabis, Funk Buia, entre outros.

Ainda que como um verniz para as partes orgânicas, a eletrônica sempre esteve presente no trabalho da Nação Zumbi. Você costuma dar seus palpites nessa parte do processo?
Pra mim gravar um disco é participar do começo das composições até a masterização, que é o último processo antes da fabricação. Na Nação todo mundo palpita e sempre acrescenta. Sempre faço algumas programações e toco um ou outro sintetizador, como moog, vk-7...

Maquinado, Sebozos, Três na Massa (projeto do baixista Dengue e do baterista Pupillo com o produtor Rica Amabis), Capenga Sample (do vocalista Jorge Du Peixe com Berna Vieira, do Bonsucesso Samba Clube), Pra Mateuz Poder Dançar (dos percussionistas Toca Ogan e Marcos Matias)... Todos esses projetos envolvem músicos da Nação. Essa vontade (ou necessidade) de expandir a produção para outros projetos é algo que acaba alimentando o objetivo principal? 
Tudo o que fazemos serve para amadurecer. Quando decidi viver de música, ainda com vinte anos, era pra ser assim, com mil coisas pra fazer. Não me imagino em outro lugar senão no palco. Há muita coisa ainda por vir... É só o começo.

Por falar nisso, ouvi dizer que existe um projeto antigo de funk que envolvia músicos da Nação chamado Os Malteses. Como era isso?
O projeto reunia eu, Pupillo, Júnior Areia (baixista do Mundo Livre S/A) e mais um pessoal nos metais (inclusive Spok fazia parte da primeira fase). Fazíamos releitura dos funks dos anos 60 e 70, os mais clássicos. Acho que os Malteses acabaram se tornando uma diversão de verão em Recife. Muita gente perguntou quando iríamos gravar o disco, mas a maioria delas nem sabia que as músicas não eram nossas. Ficou no passado, mas nunca se sabe...

Maquinado:
Quarta-feira, 5 de abril, na balada Frankafrica. Discotecagem: Radiola Urbana + DJ Tahira (pista 1) e Yellow P  x Chico Dub (pista 2). Quanto: R$ 10. Onde: Sarajevo, r. Augusta, 1385, a partir das 23h

Sexta-feira, 21 de abril. Quanto: R$ 13. Onde: Grazie a Dio, r. Girassol, 67, às 22h

Domingo, 23 de abril, no Abril Pro Rock (Recife)










Home | Ouça | Leia | Agenda | Assista | Navegue | Escreva
Lançamentos | Arca do Velho | Discoteca | Arquivo | Contato