Nômade no grito

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A natureza nômade é se movimentar constantemente. O combo do ABC Paulista Nomade Orquestra segue esse instinto e não para quieto na busca de uma permanente reinvenção de sua musicalidade. No próximo dia 14, a banda lança seu terceiro disco, “Vox Populi”, e envereda por um caminho até então inédito em sua estrada fonográfica: de trabalhar com vocalistas convidados. Seus dois álbuns anteriores – “Nomade Orquestra” (2014) e “EntreMundos” (2017) – são instrumentais e revelam uma potência rara e autoral na fusão de influências. O jazz e funk norte-americanos colidem com toda diversidade rítmica brasileira, o choque abre as vísceras de sua estética e autópsia desvenda ainda referências caribenhas e africanas.

“Vox Populi” traz as participações de Edgar, Juçara Marçal, Russo Passapusso e Siba. A Radiola Urbana divulga com exclusividade o teaser que traz um aperitivo da colaboração com a cantora do Metá Metá. Algo que logo chama atenção é o mergulho dela em duas composições, algo que ela já vem explorando em trabalhos anteriores e, ao que parece, tende a se aprofundar. “Quis fazer duas canções bem diferentes uma da outra. Na primeira, “Eró Iroko’, surgiu logo a ideia de compor uma canção exaltando Iroko – como se fosse um ponto, tendo uma estrutura mais circular, saudando o orixá”, diz a artista. “Na segunda, ‘Poeta Penso’, a ideia era brincar no registro meio falado / meio cantado. Daí a letra também seguiu mais lúdica, exercitando a desconstrução das palavras e a desobstrução do ‘eu’ que fala na canção.”

O baixista Ruy Rascassi frisa que “no momento atual, a palavra se faz necessária”. “Diante da turbulência que vivemos no Brasil, a musica é a arma e palavra é a bala. É necessário se aproximar das pessoas que estão ao seu redor, dizer o simples e o básico da vida que aparentemente estão se perdendo.” “A música instrumental é e sempre será a origem e o viés da Nomade Orquestra. Nos relacionamos com essa linguagem universal nos últimos anos, viajando o Brasil e a Europa, e as experiências que vivenciamos foram incríveis – desde pessoas que se conectaram tão fortemente com a música a ponto de se livrarem de uma depressão ou mesmo gente que disse ter tido uma viagem psicodélica sem estar sob efeito de nenhuma substância”, explica o músico. “Mas, nos últimos anos, pensamos na real possibilidade de transgredir, ultrapassar a barreira da sensibilidade e percepção para chegar ao significado e comunicação direta com uma experiência completa. E isso só seria capaz através da voz.”

A banda chegou lá. “Vox Populi” é um discão, que será lembrado como um dos melhores da música brasileira em 2019. Aguarde e confie.

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