Soul no sangue

O cantor e compositor de soul Lee Fields se apresenta em São Paulo dentro do projeto Só Pedrada Musical Ao Vivo, sábado e domingo (12 e 13 de abril), na Choperia do Sesc Pompeia. Ele atendeu nosso telefonema, em Nova Iorque, e falou sobre sua passagem pelo Kool and Gang nos anos 60 e seu próximo disco, “Emma Jean”.

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Nos começo dos anos 90, a ideia era abrir uma peixaria. Algo estava errado. Aquele não era o lugar para alguém que havia sido comparado a James Brown na década de 70. A música tinha ficado para trás e sua obra consistia em vários singles e apenas um álbum – o cultuado “Let’s Talk it Over”, de 1979. “O que você sabe sobre peixes?”. A resposta só poderia ser uma: nada. Lee Fields, hoje com 63 anos, deve se lembrar do dia que sua esposa fez a fatídica pergunta com um sorriso no rosto.

O homem que faz duas apresentações na Choperia do Sesc Pompeia neste fim de semana (12 e 13 de abril) seria um peixe fora d’água se não fosse artista. Seus três discos mais recentes com a banda The Expressions – “Problems” (2002), “My World” (2009) e “Faithfull Man” (2012), todos pela Truth and Soul Records – esbanjam muita elegância na concepção dos arranjos com aroma setentista e chamam atenção para o vozeirão potente, que hoje poderia estar atrás de um balcão anunciando o preço do quilo de atum. Ele atendeu o nosso telefonema na última terça-feira (08 de abril), em Nova Iorque, e reconheceu que a soul music sempre foi sua vocação.

“Quando eu era bem jovem, fui muito influenciado pela minha mãe, que cantava gospel. Mas minha ambição era ser um homem de negócios. Isso mudou assim que vi os Beatles pela primeira vez. Era como se eles tivessem vindo de outro planeta. Eles se vestiam de maneira diferente, o show era tão incrível, eles tomaram o país de assalto. Tudo isso me fez querer ser como eles. Aí, quando vi o James Brown, foi definitivo. Eu soube que seria um performer”, lembra.

A admiração por Mr. Dynamite e a boa voz lhe renderam o apelido de Little JB e, por volta de 1969, o levaram a excursionar com uma das bandas mais criativas do funk norte-americano. “Trabalhei com o Kool and the Gang no começo da carreira deles, por alguns meses. O manager Gene Reed me colocou no grupo. Fui influenciado pela tenacidade deles. Eles eram muito firmes em relação às suas crenças musicais. A experiência com a banda me inspirou mais seriamente a respeito do que eu queria fazer.”

Com uma bom punhado de compactos de 7 polegadas gravados ao longo dos anos 70, Lee Fields só foi lançar seu primeiro álbum em 1979. As cópias originais de “Let’s Talk It Over” hoje são cobiçadíssimas por DJs e colecionadores e o disco acaba de ganhar uma reedição em vinil. “Foi um disco que abriu as portas para várias coisas que viriam em seguida. Foi a base para muita coisa que eu estou fazendo atualmente. Todas as minhas esperanças estavam naquele álbum.”

Lee Fields desembarca no Brasil prestes a lançar um novo trabalho. “Emma Jean” está previsto para junho e uma das músicas, “Magnolia”, já foi disponibilizada na internet.

“‘Emma Jean” tem esse nome em homenagem à minha mãe. Coloquei meu coração e minha alma nesse disco. Cada música que gravo na minha vida é como se fosse minha filha. Cada álbum tem vida própria. Às vezes você espera que o filho seja de um jeito, mas ele não é. Minha música é a minha criança, e eu fiz tudo o que era preciso para dar vida a esse disco, ele foi gerado, alimentado, para ter vida própria”.

(Por Ramiro Zwetsch)

Lee Fields
Só Pedrada Musical Ao Vivo
Choperia do Sesc Pompeia
12 e 13 de abril, às 21h
R$ 40

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