74 rotações!

Série de shows revê o repertório de discos lançados em 1974, de 18 a 21 de dezembro no Sesc Santana: Emicida interpreta “Cartola”, Luciana Alves e Marco Pereira Trio fazem “Elis & Tom”, O Terno encara “Lóki” (Arnaldo Baptista); e a banda Los Sebosos Postizos reinventa “A Tábua de Esmeralda” (Jorge Ben).

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Foto: Zé Gabriel

O projeto Rotações acontece pelo terceiro ano consecutivo no Sesc Santana com a proposta de revigorar a música lançada 40 anos atrás com releituras de artistas contemporâneos. Em 2014, focamos em quatro discos brasileiros de 1974: o primeiro disco de Cartola, reconhecido como um dos maiores sambistas da história, será interpretado pelo rapper Emicida (um dos mais talentosos da nova geração do hip hop brasileiro); a cantora Luciana Alves, acompanhada do Marco Pereira Trio, faz “Elis & Tom”, disco que na época foi celebrado como o encontro da maior intérprete com o maior compositor brasileiros; o trio O Terno encara “Lóki”, o primeiro disco solo de Arnaldo Baptista – que ainda ecoa muito da estética inovadora dos Mutantes, mas desvenda uma densidade e um lirismo mais profundos no trabalho do compositor; e a banda Los Sebosos Postizos, que se dedica a recodificar o trabalho de Jorge Ben com influências de soul e reggae, visita o clássico mais cultuado do compositor carioca: “A Tábua de Esmeralda”.

Nos dois anos anteriores, foram realizados os eventos 72 Rotações e 73 Rotações. Em 2012, aconteceram oito shows – entre eles: Romulo Fróes x “Transa” (Caetano Veloso), Cida Moreira e Hélio Flanders x “Harvest” (Neil Young) e Felipe Cordeiro x “Expresso 2222” (Gilberto Gil). No ano seguinte, foram quatro shows (todos com ingressos esgotados): “Karina Buhr” x “Secos & Molhados”; Cidadão Instigado x “Dark Side of the Moon” (Pink Floyd), Céu x “Catch a Fire” (Bob Marley & the Wailers); e Fred 04 x “Nelson Cavaquinho”. Em 2014, oito shows do projeto foram reprisados na Virada Cultural, no Palco Rio Branco. Além disso, muitos shows do projeto se tornaram parte da agenda dos artistas e rodaram o Brasil.

Neste ano, a curadoria do evento decidiu focar em quatro discos que traçam um panorama da música brasileira de 1974: um marco do samba (“Cartola”), uma obra consagrada mundo afora com canções e arranjos sofisticados (“Elis & Tom”), um clássico do rock pós-tropicália (“Lóki”) e uma joia da combinação entre balanço e psicodelia (“A Tábua de Esmeralda”).

Emicida foi escolhido para interpretar “Cartola” para realçar as afinidades do samba com o rap. Com o lançamento de seu primeiro disco em 2013, “O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui”, ele se firmou como um dos maiores talentos da atual geração do hip hop brasileiro. O álbum foi escolhido o melhor do ano pela revista Rolling Stone Brasil e o rapper ainda foi premiado pela APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) como melhor intérprete em 2013. “É sempre um desafio aceitar mexer em um clássico, uma obra que foi composta e interpretada por um mestre, um verdadeiro gênio da música mundial. Digo ‘mundial’ porque Cartola foi grande como diversos nomes que têm maior distribuição por aí, mas infelizmente nem sempre o mercado faz as escolhas baseado na arte”, diz Emicida. “Depois de iniciar os estudos para esse projeto, me dei conta do quão gigante é nosso mestre, mais ainda do que eu pensava que fosse. Emoção e gratidão definem bem o que sinto.”

Um dos discos brasileiros mais cultuados mundo afora, “Elis & Tom” traz arranjos e interpretações impecáveis e conhecidas do grande público. Reproduzi-los fielmente não seria o melhor caminho. Reconhecida como uma das vozes mais promissoras da MPB, Luciana já dividiu palco com bambas como Joyce, Guinga, Roberto Menescal, Johny Alf e Omara Portuondo. Ao lado do Marco Pereira Trio (uma potência da música instrumental brasileira), ela vai transformar este clássico a partir de seu timbre na companhia de violão (Marco Pereira), contrabaixo (Guto Wirtti) e acordeão (Bebê Kramer) – sem a voz masculina e o piano, tão marcantes no disco. “A ideia de cantar qualquer coisa muito emblemática na voz da Elis já traz uma enorme responsabilidade. Esse é um repertório bastante denso pra um show, ao passo que tem músicas muito conhecidas, executadas e relidas em todo mundo”, admite a cantora. “Minha primeira providência foi pensar numa outra sonoridade, nada a ver com o disco, numa formação ousada, pra que a gente possa trazer outras cores pra quem vai ouvir, respeitando essa criação tão impecável mas sem a pretensão de copiar ou reproduzir.”

Com dois discos lançados (“66”, de 2012, e “O Terno”, deste ano), O Terno transita pelo rock e pelo universo da música brasileira com originalidade e performances intensas baseadas no entrosamento do trio – formado por Tim Bernardes (voz e guitarra), Guilherme D’almeida (baixo) e Victor Chaves (bateria). A banda reconhece que tem laços afetivos com “Lóki?” (Arnaldo Baptista). “Os Mutantes é provavelmente a banda que a gente mais gosta no mundo e conhecer o ‘Lóki?’ na adolescência, depois de destrinchar a discografia e conhecer toda história da banda, foi uma experiência muito emocionante. As gravações, a voz do Arnaldo na época, as canções vem de um jeito cru, dolorido e confessional como poucas coisas na história da MPB. É um disco delicado e denso mas com a virilidade do Rock n Roll, das obras-primas da nossa música. Somos fãs de carteirinha do “Lóki?”, também não gostamos do Alice Cooper e queremos saber ‘Onde é que está meu rock and roll?’”, resume Tim, citando a letra de “Será que eu Vou Virar Bolor?”, uma das canções do álbum.

O show de encerramento do 74 Rotações traz a banda Los Sebosos Postizos interpretando “A Tábua de Esmeralda” (de Jorge Ben). Este disco é considerado o mais criativo da carreira do compositor, com uma afinação especial de seu suingado violão no centro de arranjos experimentais e uma boa dose de psicodelia nas letras inspiradas em alquimia. Com quatro integrantes da Nação Zumbi (o vocalista Jorge Du Peixe, o guitarrista Lúcio Maia, o baterista Pupillo e o baixista Dengue), os Sebosos tem um disco gravado só com músicas de Ben – três delas, inclusive, do “A Tábua de Esmeralda” (“Cinco Minutos”, “O Homem da Gravata Florida” e “Os Alquimistas Estão Chegando”). “É difícil dizer o que mais me atrai nesse disco, mas é o todo: esses arranjos, as cordas, uma psicodelia brasileiríssima”, explica o vocalista Jorge Du Peixe. “A gente foi seduzido por esse disco de primeira. Ouvi em 92 ou 93 e não entendia como eu não tinha conhecido antes. Eu acho que é meu disco preferido do Jorge Ben por conta dessa música, ‘Errare Humanum Est’, uma das melhores dele. Não me canso de ouvir.”

O 74 Rotações acontece entre os dias 18 e 21 de dezembro, com um show por noite.

74 Rotações
De 18 a 21 de dezembro
18/12 – Emicida interpreta “Cartola” (Cartola), às 21h
19/12 – Luciana Alves e Marco Pereira Trio interpretam “Elis & Tom” (Elis Regina e Tom Jobim), às 21h
20/12 – O Terno interpreta “Lóki?” (Arnaldo Baptista), às 21h
21/12 – Los Sebosos Postizos interpreta “Tábua de Esmeralda” (Jorge Ben), às 18h
Ingressos: R$ 40 (inteira), R$ 20 (meia), R$ 8 (comerciário)
Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579, (11) 2971-8700
www.sescsp.org.br/sesc

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