Coisazz

Neste fim de semana, Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz interpretam o repertório do seminal disco “Coisas” (Moacir Santos, selo Forma, 1965). A curadoria deste projeto é de Filipe Luna e Ramiro Zwetsch, colaborador e criador da Radiola Urbana. Os shows acontecem no Sesc Pinheiros no sábado 16, às 21h, e no domingo 17, às 18h.

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A música brasileira tem coisas e “Coisas”. Muitas coisas fizeram a diferença e entraram pra história: a bossa nova, a Tropicália, Tom, João, Caymmi, Gonzagão, Pixinguinha, Cartola, Ben, Gil, Elis, Gal, Tim – entre infinitas outras coisas. Da “Coisa Mais Linda” (de Carlos Lyra e Vinícius de Moraes) a “Qualquer Coisa” (Caetano Veloso), um monte de outras coisas enche nosso baú musical até transbordar. E tem “Coisas” e mais coisas de um compositor, arranjador e instrumentista dos sopros pernambucano chamado Moacir Santos (1926 – 2006). Coisas que foram criadas há mais de cinquenta anos e não perdem o requinte. Ao contrário, ganham ainda mais peso, devoção e até modernidade com o passar tempo. Coisas como a “Coisa Nº 5” (também conhecida como “Nanã”), regravada por ninguém menos que Raul de Souza, Sérgio Mendes, Nara Leão, Os Ipanemas, Edison Machado, Os Cobras, Zimbo Trio e Wilson Simonal, entre muitos outros. “Coisas” é o nome do disco lançado em 1965 por Moacir. As dez composições ganharam o nome de “Coisa” (numeradas de 1 a 10, sem obedecer a ordem das faixas) e o álbum expandiu definitivamente o horizonte da música brasileira.

São estas “Coisas” que Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz interpretarão em duas apresentações, nos dias 16 e 17 de setembro, no Sesc Pinheiros. Com dois discos lançados (“Letieres Leite e Orkestra Rumpilezz”, de 2009, e “A Saga da Travessia”, de 2016), a Rumpilezz talvez seja a coisa mais arrebatadora da música brasileira recente. Com 20 músicos, a orquestra se divide em sopros e percussão sob a regência de Letieres Leite e nos oferece composições baseadas nos ritmos afro-baianos e nos arranjos jazzísticos. É coisa muito séria. Agora imagina as duas coisas em uma só.

“Na música do maestro Moacir Santos, uma das suas mais impactantes características é a presença da música afro-brasileira – notadamente na série “Coisas”. A Orkestra Rumpilezz, que tem na sua principal fonte composições ligadas ao universo das matrizes africanas no Brasil (em especial na Bahia), reconhece no trabalho do maestro Moacir forte inspiração e busca com este novo trabalho uma intepretação autoral deste tão emblemático disco (“Coisas”, selo Forma, 1966), aproximando essas composições do universo percussivo baiano”, explica Letieres. “O maior diferencial deste trabalho é em relação aos arranjos, pois a ideia é não replicarmos as partituras originais e sim criar arranjos originais para este projeto. Desejamos desta forma conectar a obra do maestro com o universo percussivo da música afro-baiana, sem que com isso se perca as informações substanciais que caracterizam a música do grande Moacir Santos.”

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